ORQUESTRA PROFANA 

    Na entrada da primavera meridional de 1991,  alguns jovens músicos se reuniram com a intenção de interpretar as partituras antigas e consagradas dos grandes mestres da música universal, intenção, esta, a que se poderia atribuir um certo grau de nobreza, principalmente ao consideramos o então contexto cultural  predominante. Mas, definitivamente, o projeto nada teria de muito incomum... excetuando-se um diferencial: a curiosidade mútua dos integrantes em experimentar as texturas sonoras  que surgiriam em substituir os violinos, violas, violoncelos e baixos acústicos por guitarras e baixos elétricos; o cravo e instrumentos de sopro por teclados sintetizados.

    Um repertório de pouco mais de meia hora e um reduzido número de ensaios não melindrou os ânimos do grupo que se chamou Orquestra Profana, e, na ânsia de mostrar sua música ao resto do planeta, já realizava em novembro sua primeira apresentação em um colégio público. Quatro dias depois, uma segunda aparição do grupo já levava sua nova sonoridade ao ar livre (ver foto ao lado) para um público de uma dúzia de pessoas pacientemente sentadas em frente a uma loja de discos em Porto Alegre (como pode deduzir-se, uma apresentação que transcorreria sem grandes tumultos ou correrias na platéia).

    Curiosamente, por alguma obra do destino, apresentações da Orquestra Profana começaram a ser solicitadas. Em janeiro de 1992, quatro meses após o primeiro ensaio do grupo, a Orquestra Profana já se apresentava em cadeia regional através da RBS, e datas começaram a ser agendadas para teatros no interior do Rio Grande do Sul. Fez-se necessário um aumento do repertório do grupo, que incluía peças de Mozart, Bach, Mussorgsky, Pachelbel e Paganini. Mas foi a obra completa “As Quatro Estações” de Antônio Vivaldi que naturalmente tornou-se o centro em torno do qual gravitariam as apresentações  da Orquestra Profana, fato este motivado pelo apelo e reações instantâneas produzidas pela música do grande gênio italiano no público ouvinte, e também pelo fato de tratar-se de uma obra descritiva, algo que o grupo fazia questão de ilustrar através de comentários sobre as intenções de Vivaldi para cada trecho da obra:

“...agora um movimento que retrata uma tempestade de verão”;

“...agora uma caça em que se ouvirão a trompa dos caçadores, tiros alternados, a fuga da lebre, e sua morte no final...”.

     Alguns momentos se destacam em importância na breve história do grupo:

-uma apresentação (em um bar!!!) ao lado de um quarteto de cordas da OSPA;

-a convite da RBS, uma interpretação de trechos de “As Quatro Estações” de Vivaldi para a festa de chegada da primavera no Jardim Botânico de Porto Alegre (transmitido ao vivo pelo Jornal do Almoço para todo o estado);

-apresentação com uma orquestra de cordas “convencional” (Orquestra SOMUSICA) no teatro da Assembléia Legislativa de Porto Alegre onde as duas orquestras executaram conjuntamente várias obras, entre elas, “As Quatro Estações” de  Vivaldi tendo Zózimo Rech como solista (guitarra elétrica);

-encerramento da V Jornada Nacional de Literatura, Passo Fundo, RS, tendo o grupo recebido o troféu Vasco Prado.

 

Ao longo da existência do grupo, vários integrantes passaram pela Orquestra Profana, mas Adrianne Simioni e Zózimo Rech foram os únicos imutáveis, tendo participado de todos os eventos do grupo desde o seu surgimento em setembro de 1991 até a sua última apresentação em setembro de 1995.

 

“As Quatro Estações” de Vivaldi - Verão, 3º movimento

 

 

 

 

 

 

Lista de apresentações da Orquestra Profana

 

 

 

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